
E de tanto insistir em algo que não ia pra frente eu fui cansando, não por falta de paciência ou fé de que as coisas poderiam dar certo, eu fui cansando assim tão lentamente, que chegou um momento em que eu havia me cansado até mesmo de me cansar. Todo aquele desgaste mais parecia uma luta que envolvia duas pessoas, mas que só havia um soldado em campo. Era meio desleal aquela batalha em que o meu maior oponente era o amor próprio que ás vezes se camuflava de orgulho, ou seria o oposto? Enfim… Não foi fácil seguir em frente deixando tanta coisa pra trás, mas passadas as primeiras fronteiras eu pude notar que haviam muito mais motivos para seguir em frente do que voltar para aquele passado que não tinha a menor chance de se tornar um futuro. E depois que a guerra acaba, e as bandeiras brancas já foram tremuladas, as memórias nos alcançam em algum lugar da noite ou da multidão, nos fazendo se sentir heróis e vilões por ainda conseguir seguir em frente e esboçar um sorriso. Ao fim de tudo, ja nem importa quem ganhou ou perdeu a guerra, porque isso não mudará o fato de que a guerra acabou. E que bom que entre mortos e feridos salvaram-se todos, alguns mais feridos que os outros, mas todos com cicatrizes que irão acompanhá-los para lembrar de que a guerra valeu a pena, de que a luta um dia existiu. Sem medalhas, sem honras, sem glórias, apenas lembranças, lembranças e nada mais.



A verdade é que muitas pessoas me atraem, porém poucas são aquelas que me cativam. A gente perde tanto tempo com as distrações das atrações que pouco tempo nos sobra para enxergar o essencial que só se vê com o coração. Eu não sou o pequeno príncipe, não tenho uma rosa para cuidar, tão pouco um planeta só pra mim. Eu não viajei pelo o universo, não encontrei pilotos perdidos, mas sei muito bem o quanto é difícil entender as pessoas grandes e aprendi o valor inestimável de nunca desistir de uma pergunta. Talvez um dia eu volte para o planeta de onde vim ou vá para qualquer lugar que eu possa chamar de meu, pois sinto com uma certa frequência que este aqui não é o meu lugar. Eu simplesmente me recuso a aceitar a falsidade dos “bom dia”, o desinteresse dos “tudo bem com você?” e a hipocrisia daqueles que apontam o dedo antes mesmo de se olharem no espelho. Pode o mundo se corromper em meio à superficialidade dos corpos, que eu continuarei aqui, profundo e disposto a ir um pouco mais além dos que se afogam no raso dos sentimentos. O que me toca vai além da pele e do contato físico, vai além das palavras que não são seguidas de atitudes. O que me toca de verdade é aquilo que consegue transpassar a barreira dos olhos e atingir a alma. E eu sigo assim, procurando evitar que os meus olhos se distraiam e tentando ouvir mais atentamente o meu coração.


